Como Plantar?
Preparo do Solo e Plantio
O amendoim pode ser cultivado em quase todos os
tipos de solo: a maior produtividade, contudo, é obtida naqueles bem
drenados, de razoável fertilidade e textura arenosa ou franco-arenosa, de
maneira a favorecer a penetração dos ginóforos ou “esporões” (figura 1), o
desenvolvimento das vagens e a redução de perdas na colheita.
No preparo, faz-se uma aração, aplicando-se o
calcário e, a seguir, uma gradagem para complementação da aração e
incorporação do mesmo. O pH ideal para o amendoim é na faixa de 6.0 a 6.2. As
quantidades de calcário e fertilizante dependerão das exigências reveladas
nos resultados da análise de solo. O calcário deve ser aplicado entre 30 e 45
dias antes do plantio. Para maior eficiência no desenvolvimento vegetativo,
recomenda-se tratar as sementes previamente com inoculante a base de rizóbio,
o qual dispensa a adubação nitrogenada.
Adubação
O amendoim é exigente em cálcio e fósforo, ambos
imprescindíveis para a produção de flores (figura 2) e desenvolvimentos das
vagens (figura 3) e sementes; a disponibilidade em nitrogênio e potássio,
contudo, favorecem ao bom desenvolvimento vegetativo e, conseqüentemente,
auxiliam na elevação da produtividade.
As recomendações de adubação para o
amendoim são as seguintes:
Orgânica: 2kg de esterco de
curral curtido/m2;
Biológica (como fonte de
nitrogênio): 200g de inoculante/10kg de sementes;
Química: Dependem das sugestões
estabelecidas a partir de resultado de analise de solo.
Nas regiões produtoras de amendoim no Nordeste
onde a fertilidade freqüentemente é baixa, as recomendações mais comuns
concentram-se entre 60 e 80 kg.ha-1 de P2O5, e 30 kg.ha-1
de KCl, que possibilitam elevação da produtividade de vagens em mais de
40%.
Época de Plantio e Espaçamento
A planta do amendoim apresenta
grande plasticidade genética podendo ser cultivada em várias condições agroecológicas.
O maior rendimento, contudo, será função da cultivar e, sobretudo, das
interações entre temperatura (22 e 29 oC) e disponibilidade hídrica (500 e
700 mm).
Para as condições do Estado de
São Paulo existem duas épocas de semeadura, a primeira inicia-se em
setembro/outubro (safra das “águas”) e a segunda, entre final de janeiro a
fevereiro (safra da “seca”). Na semeadura realizada na primavera a colheita
ocorre no mês de janeiro; na semeadura efetuada nos meses de verão, a
colheita é realizada em meses de pouca ocorrência de chuva, no entanto com
temperaturas mais baixas resultando em atraso na maturação e invariavelmente
com menores produções. Na renovação de canaviais predomina o cultivo das
“águas”. Nas áreas de reforma de pastagens, é possível utilizar cultivares de
ciclo mais longo e normalmente ocorre cultivo da “seca”, em geral, na mesma
área.
O espaçamento médio entre
linhas, recomendado para as cultivares de porte ereto é de 0,60 m e densidade
de 15 a 20 sementes/metro linear. Para as cultivares ramadoras, o espaçamento
adotado entre linhas é de 80 a 90 cm e densidade de 12 a 15 sementes/metro
linear.
Nas condições climáticas do Nordeste brasileiro, a maior parte do cultivo do
amendoim é procedida em regime dependente da estação chuvosa, sendo mais
concentrado nas regiões de Mata, Agreste, Brejo, Cariri e Semi-árido. Nas
condições de Mata e Agreste chove, freqüentemente, de abril a agosto e as
precipitações anuais, sobretudo na Zona da Mata, ultrapassam os 1000 mm. Como
os materiais de porte ereto e precoce predominam na região, o plantio é
efetuado perto do final da estação chuvosa (maio-junho) para favorecer a
colheita na estação mais seca. No Semi-árido, chove de novembro a março e as
freqüências e distribuição são irregulares. Devido a isso, o plantio é
procedido tão logo as chuvas comecem. Em termos regionais, o amendoim
nordestino está distribuído no recôncavo baiano, nos tabuleiros costeiros de
Sergipe, nas zonas da Mata, Agreste e Sertão pernambucanos, no Agreste e
Brejo da Paraíba e no cariri cearense.
O espaçamento convencional de amendoim cultivado em regime de sequeiro é de
0,70 m x 0,20 m, podendo o plantio ser procedido em consórcio com outra
cultura herbácea, como milho, gergelim, mandioca ou algodão. A quantidade de
sementes fica entre 60 e 65 kg/ha (padrão BR 1). Atualmente tem se adotado o
espaçamento de 0,50 m x 0,20 m, gastando-se 90kg/há. Neste espaçamento, a
elevação na produtividade fica na ordem de 63% (foto 4), com relação ao
sistema convencional. Este espaçamento permite, ainda, redução nos custos das
capinas, que cai de três para duas. No espaçamento de 0,30 x 0,20m o gasto de
semente situa-se em 110kg/ha e a elevação na produtividade sobe para 94%.
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Tratos Culturais
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Controle
de Plantas Daninhas
A cultura deve ser mantida livre de ervas daninhas nos primeiros 45 dias
após o plantio quando a floração está em intensa atividade e os ginóforos
(pegs ou “esporões”) estão em pleno crescimento geotrópico para
desenvolvimento das vagens. A floração das cultivares precoces inicia-se
entre 25 e 28 dias após a emergência; é necessário cuidado no manejo das
limpas para não prejudicar a emissão dos ginóforos e as flores em
desenvolvimento.
Capinas ou Limpas
Podem ser manual, com enxada ou ancinho ou mecanizada, através de
cultivador.Devem ser realizadas em número de 2 a 3 dependendo da
infestação de ervas e o espaçamento utilizado. Em pesquisas desenvolvidas
pelo CNPA sobre espaçamentos no amendoim, tem sido observado que quando
as plantas são cultivadas nos espaçamentos de 0,50 m x 0,20 m ou 0,30 m x
0,20 m, a quantidade de plantas daninhas/m2 tem sido reduzida, em
média, em 70% com relação ao espaçamento convencional (0,70 m x
0,20 m) e em 64 % no de 1,00 m x 0,20 m.
Controle
Mecânico
A utilização de enxadas é adequada para pequenas propriedades e o
controle deve ser feito entre 15 e 25 dias após a emergência, quando as
plantas daninhas estiverem em torno de 5 a 8 cm de altura. No caso de
reinfestação, nova capina deve ser feita entre 30 a 40 dias após. A
utilização de cultivadores apresenta resultados satisfatórios, desde que
realizado com o solo seco e de maneira superficial, a fim de não
prejudicar o sistema radicular. Este tipo de controle é mais eficiente do
que a capina manual. Tem a vantagem de escarificar superficialmente o
solo, não deixa resíduos tóxicos na área de cultivo, permitir a prática
da amontoa e controlar, praticamente, todas as espécies de plantas
daninhas.
Os principais tipos de cultivadores são Planet, de discos ou de hastes,
podendo-se utilizar tração animal ou mecanizada. Em áreas extensas,
recomenda-se a utilização de barras montadas que permitam cultivar um
número acima de 4 linhas por passada, para compensar o custo de
combustível e reduzir o adensamento ocasionado pelo rodado do trator.
Herbicidas
Vários herbicidas podem ser utilizados na cultura do amendoim;
entretanto, sua escolha dependerá do tipo de solo (teor de argila e
matéria orgânica) e da composição vegetal da área. Para o controle de
plantas daninhas sugere-se alguns herbicidas listados abaixo que podem
ser utilizados como pré-plantio incorporado (PPI), pré-emergência (PRE)
ou no pós-emergência (POS). Fazer as aplicações de acordo com as
instruções do fabricante.
Princípio Ativo
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Nome Comercial
|
Concentração
(g.L-1)
|
Época
|
Dose
kg.ha-1 i.a.
|
trifluralin
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Treflan©, similares
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445 CE
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PPI
|
0,54 - 1,08
|
trifluralin
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Premerlin©
|
600 CE
|
PRE
|
1,80 -2,40
|
pendimenthalin
|
Herbadox©
|
500 CE
|
PPI
|
0,75 - 1,50
|
alachlor
|
Laço©
|
480 CE
|
PRE
|
2,40 - 3,36
|
lactofen
|
Cobra©
|
240 CE
|
PRE
|
0,24 - 0,48
|
lactofen
|
Cobra©
|
240 CE
|
POS
|
0,15 - 0,24
|
imazapic
|
Plateau©
|
700 Gr
|
PRE
|
0,10 - 0,14
|
linuron
|
Afalon SC©
|
450 SC
|
PRE
|
1,00 - 2,00
|
bentazon
|
Basagran©
|
600 CE
|
POS
|
0,72 - 0,96
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Amontoa
Refere-se ao chegamento de terra para a base (“pé”) da planta que deverá
ser realizado juntamente com a 2a capina (foto). Só é necessária quando
as vagens estão muito expostas ou quando um grande número de
ginóforo fica perto da superfície do solo. A exposição das vagens à luz prejudica
seu desenvolvimento. A amontoa pode ser feita com enxada ou
cultivador a tração animal. Geralmente é necessária quando o plantio é
feito em sulcos.
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